terça-feira, 11 de julho de 2017

A REVOLUÇÃO DE 32

(Contribuição do SD PM LIMA do 1º BPM/M)



A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um importante movimento liderado por São Paulo no qual tropas do estado fizeram um levante contra as tropas federais e o “GOVERNO PROVISÓRIO” de GETÚLIO VARGAS. Vargas deu um golpe junto com militares, depôs WASHINGTON LUÍS e impediu a posse de JULIO PRESTES.  A subida ao poder de Vargas dá origem a REVOLUÇÃO DOS HERÓIS PAULISTAS, a famosa REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932. Mesmo em minoria as tropas do Estado de São Paulo e os nacionalistas se voltam contra as tropas federais, pois Vargas, ao chegar ao poder, suspendeu a Constituição Federal  e com isso São Paulo acabou sendo prejudicado. Tendo já noção do contexto histórico vamos a revolução.

No dia 9 de Julho de 1932 o estado de SÃO PAULO pega em armas para que seja restabelecida a Constituição Federal e o estado democrático de direito. Anteriormente, em 23 de maio, os jovens: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade foram brutalmente mortos por tropas federais na PRAÇA da REPÚBLICA. Este evento dá origem à organização MMDC. Militares paulistas e muitos nacionalistas paulistas civis se unem e dão origem à revolução armada. Graças aos paulistas que colaboram com dinheiro, ouro, e principalmente muito trabalho pode se dar seguimento a revolução.  O PRP( PARTIDO REPUBLICANO PAULISTA) que perdera com o “golpe” de Vargas pede para que seja constituída uma nova Assembleia Nacional Constituinte, respeito a  nova constituição que estava por vir que fora retardada por Vargas. A Revolução juntou e mobilizou mais de 100 mil nacionalistas e as principais zonas de combate foram a divisa de SÃO PAULO COM MINAS GERAIS, PARANA E VALE DO PARAÍBA. Com o decorrer da revolução o MMDC recruta novos soldados, mulheres doam suas joias, a indústria paulista ajuda como pode com a fabricação de armas. Todos os paulista ajudam como podem. Esperava-se a chegada de aliados de outros estados como Mato grosso, Minas Gerais e do Rio Grande Sul todavia isto não  ocorreu.  SÃO PAULO esteve sozinho. Tropas federais usam a tática de fechar as fronteiras do estado para sufocar as tropas revolucionarias. Após 3 meses de luta, as tropas revolucionarias acabam  por se renderem e com isto é o fim da Revolução de 1932.

DADOS  DO CONFLITO (Estimativa):

235 MIL COMBATENTES AO TODO
DOS QUAIS:
200 MIL SOLDADOS FEDERAIS
35 MIL PAULISTAS

MORTOS OFICIAIS: 830
DOS QUAIS:
630 ERAM PAULISTAS
E 200 HOMENS DAS TROPAS FEDERAIS







sexta-feira, 30 de junho de 2017

CAPITÃO REINALDO SALDANHA DA GAMA



Reinaldo Ramos Saldanha da Gama nasceu no Rio de Janeiro, bairro de Vila Isabel, em 1º de março de 1905. Em 1921, assentou praça no 2º Regimento de Infantaria, sediado na Vila Militar, no Rio de Janeiro, com destino à Escola Militar do Realengo, na qual ingressou como Cadete em março de 1922, depois de aprovado em concurso de admissão.

A 5 de julho daquele ano, tomou parte no levante da Escola Militar que apoiou a insurgência de outras unidades militares contra o Governo Federal. A primeira revolta tenentista, cujos grandes protagonistas foram os “18 do Forte de Copacabana”, foi o batismo de fogo do jovem Cadete Saldanha da Gama.

Devido a sua participação na frustrada revolta, foi preso e teve sua matrícula trancada na Escola Militar do Realengo. Solto, meses depois, deixou o serviço ativo do Exército.

Em março de 1923, matriculou-se na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Naquela instituição de ensino formou-se, em 1925, Engenheiro Geografo e em 1929, Engenheiro Civil. Foi engenheiro da Prefeitura de São Paulo entre 1929 e 1930.

Tomou parte na Revolução de 1930, como capitão comissionado, ao lado da legalidade. Entretanto, em consequência da vitória do movimento revolucionário e da anistia então concedida aos ex-cadetes de 1922, reverteu ao serviço ativo do Exército no posto de 1º Tenente da Arma de Engenharia, passando a cursar a Escola Provisória, instalada naquela ocasião, para atualizar, ou melhor, para reajustar o curso dos ex-cadetes de 22.

Volta a São Paulo em 1931, posto à disposição da Força Pública de São Paulo na qual assume a Chefia do Serviço de Engenharia, comissionado no posto de Capitão. No começo de 1932 integra-se ao movimento pela autonomia perdida pelo Estado de São Paulo e pela volta do Brasil ao regime constitucional. Em 31 de março de 1932 demite-se do Exército para permanecer na Força Pública, ao lado do povo paulista.

Durante os preparativos para o início da Revolução Constitucionalista projetou e construiu um tanque lança-chamas sobre um chassis de trator agrícola. Pesado e de manobra difícil serviu, contudo, para abalar a moral e levar pavor às tropas ditatoriais que o defrontaram.

Tanque blindado projetado e construído pelo Cap Saldanha da Gama em 32

Esteve em combate no Vale do Paraíba a frente de um batalhão que levava seu nome. Comandando o Batalhão Saldanha da Gama combateu até o final de nossa Guerra Cívica em localidades como Queluz, Lavrinhas, Cruzeiro, Lorena e Cunha.

Após a Revolução dedicou-se à carreira acadêmica como professor da Escola Politécnica da USP e de geologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da mesma universidade. Com a instituição do Estado Novo, em 1937, foi destituído de suas funções e passou mais alguns meses preso.

Em junho de 1942, foi convocado novamente para o serviço ativo do Exército no posto de Capitão, como encarregado de todos os assuntos relativos à Mineração e Metalurgia de metais não ferrosos, necessários ao esforço de guerra. Em 1945 integrou a Força Expedicionária Brasileira – FEB sendo designado para a chefia do Serviço Especial no Estado Maior da 1ª Divisão de Infantaria Divisionária. Neste cargo veio a desempenhar funções da maior responsabilidade e importância para o feliz êxito da FEB, na luta contra o inimigo, nos campos de batalha da Europa.

Reinaldo Saldanha da Gama foi membro e presidente do Conselho Supremo da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC. Foi também Presidente da Diretoria Executiva da Sociedade por mais de um mandato, entre o fim dos anos 70 e o começo dos 80.

Faleceu em 1990, aos 95 anos.


Saldanha da Gama condecorando o Presidente Figueiredo em julho de 1982

quinta-feira, 11 de maio de 2017

PAULO VIRGÍNIO, HERÓI DE CUNHA

Cartaz em homenagem a Paulo Virgínio

Em agosto de 1932, uma patrulha composta por três sargentos da Força Pública do Rio de Janeiro e um soldado Fuzileiro Naval patrulhava a zona rural da cidade paulista de Cunha no encalço das tropas constitucionalistas. Ao chegarem a um pequeno sítio, no bairro Taboão, encontraram o caboclo Paulo Virgínio que, perguntado, se recusa a dizer que direção havia tomado o contingente paulista que há pouco passara por sua propriedade. Inconformados, os militares ditatoriais passaram o torturaram para que dissesse onde estavam ou que caminho haviam tomado os paulistas. Com o intuito de arrancar-lhe a informação, Paulo Virgínio foi afogado em um pequeno córrego e teve seu corpo escaldado por água fervente. Mesmo assim encontrava forças para berrar a seus algozes: “São Paulo vence!”

Os ditatoriais, enraivecidos, então o obrigaram a cavar a própria cova. Quando terminou, mais uma vez foi questionado sobre o paradeiro dos paulistas. Em uma impressionante demonstração de heroísmo e lealdade à sua terra exclama: “Morro, mas a minha morte será vingada! São Paulo vence!” E uma rajada de metralhadora crava-lhe 18 tiros pelas costas matando-o imediatamente. Depois tem ainda o crânio esfacelado a coronhadas.

Deixou esposa e três filhos.

Monumento à memória de Paulo Virgínio localizado em Cunha/SP

Em 1955 teve seus restos mortais transladados para o Mausoléu ao Soldado Constitucionalista do Ibirapuera para ficarem juntos com os restos dos jovens Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.

São Paulo não se esquece de seus heróis!

terça-feira, 4 de abril de 2017


TRANSLADO DOS DESPOJOS DO VOLUNTÁRIO DELMIRO SAMPAIO




No ano de 1957 os restos mortais do Voluntário Delmiro Sampaio foram transladados do Cemitério de Santo Amaro  (onde se encontravam desde 1934) para o Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista do Ibirapuera. No ano em que se comemoravam os 25 anos da Revolução Constitucionalista, um decreto do então Governador de São Paulo Jânio Quadros, datado de 3 de julho de 1957, autorizou o translado dos despojos do voluntário e de outros heróis para o Mausoléu.

No dia 9 de julho pela manhã, Santo Amaro parou para acompanhar o cortejo fúnebre que conduziu, em carro aberto, os restos mortais do voluntário Delmiro em direção ao Ibirapuera. 

Antigo túmulo do Voluntário Delmiro Sampaio no Cemitério de Sto Amaro



Decreto Estadual que autorizou o translado dos despojos

























Columbário do Mausoléu do Ibirapuera onde, desde 1957, repousam os restos mortais de Delmiro Sampaio




Obs: Fotos pertencentes ao acervo do CETRASA - MUSEU DE SANTO AMARO

sexta-feira, 3 de março de 2017

CERTIFICADOS DE ALISTAMENTO DOS SOLDADOS DE SANTO AMARO



Hoje apresento no blog certificados de alistamento de voluntários que, em 1932, ouviram o chamado da luta pela reconstitucionalização do país. Dos mais de 300 certificados de alistamento expedidos pela Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro (CIESA) parecem haver restado preservados apenas esses dez.

São documentos de grande valor histórico, que sobreviveram aos últimos 84 anos e que ajudam a preservar a memória da Guerra Cívica.

São documentos originais, alguns deles assinados pelo comandante da CIESA Tenente Luis Martins Araújo ou por seu substituto o Aspirante João Lemcke.

Seguem os certificados dos seguintes integrantes da Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro:
  • 2º Ten Francisco Oscar Penteado Stevenson
  • 1º Sgt Anésio Silveira Júnior;
  • 2º Sgt Geraldo Giudice;
  • 3º Sgt Edgard Bradfield
  • Cabo Jayme Camargo Xavier;
  • Soldado João Damasceno de Azevedo;
  • Soldado José Antonio Silveira;
  • Soldado José de Oliveira Andrade;
  • Soldado Esauro Silveira;
  • Soldado Lucas Teisen;















SAUDAÇÕES CONSTITUCIONALISTAS!


Obs: Todos esses documento pertencem ao acervo do CETRASA - Museu de Santo Amaro (em reserva técnica).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

SANTO AMARO NA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA:
A BATALHA POR XIRIRICA

A cidade de Xiririca, hoje Eldorado

Rebatizada em 1948 com o nome de Eldorado, a cidade situada às margens do Rio Ribeira de Iguape foi fundada em 1842 e fez parte do primeiro ciclo do ouro do país no século XVII. Por mais de um século Eldorado fez parte do itinerário de grandes barcos a vapor que navegavam pelo Rio Ribeira, partindo de Iguape, levando a produção para a venda e trazendo mercadorias para consumo. Em 1932 foi palco de alguns combates importantes da Revolução Constitucionalista dos quais tomaram parte soldados da Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro – CIESA.

A cidade de Xiririca nos anos 30

O Vale do Ribeira não era, no começo da campanha, o local de operações da CIESA. A ela coube, inicialmente, a defesa de instalações estratégicas situadas na Baixada Santista como o Porto de Santos, a Usina Elétrica de Cubatão e os trechos finais das ferrovias Mairinque-Santos, Santos-Juquiá e São Paulo-Santos. Entretanto, ante as sucessivas derrotas dos soldados paulistas na divisa com o Paraná foi necessário o envio da Companhia ao setor Sul-Litorâneo do Estado. No começo de agosto de 32, forças ditatoriais que haviam invadido o Estado pela cidade de Ribeira conquistaram em seguida a cidade de Apiaí. As forças constitucionalistas que guarneciam a cidade foram obrigadas a retrair, descendo a Serra de Paranapiacaba em direção à cidade de Xiririca, passando por Iporanga. Com o intuito de reforçar esse contingente e impedir a tomada de Xiririca pelos ditatoriais, partiu a CIESA ao Vale do Ribeira, sobre os trilhos da Santos-Juquiá.

Estrada de Ferro Santos-Juquiá  

Os soldados de Santo Amaro chegaram à região no dia 18 de agosto. Já nesse dia ocorreu pequena escaramuça entre uma patrulha de CIESA e soldados ditatoriais pertencentes à Coluna do Coronel Ayrton Plaisant. Os inimigos recuaram em desordem deixando no campo da luta quatro mortos.

Em 20 de agosto ocorreu o primeiro grande enfrentamento nas cercanias de Xiririca. Os ditatoriais em perseguição a elementos dos batalhões Marcílio Franco e Barbosa e Silva (que haviam recuado de Apiaí) acreditavam que Xiririca era cidade desguarnecida militarmente. Lá, no entanto, estavam soldados da CIESA (comandados pelo tenente Mouphir Monteiro) e da Força Pública (comandados pelo tenente Feliciano) para dar-lhes combate impedindo a entrada dessas tropas na cidade, tomando-lhes grande quantidade de fuzis, munições, cavalos e víveres. O inimigo teve 2 baixas (creditadas ao sargento da CIESA Sebastião Rodrigues de Campos) e 4 feridos. As forças constitucionalistas fizeram ainda 5 prisioneiros.  As forças ditatoriais recuaram para Itaúna, bairro afastado de Xiririca.

No dia seguinte, o tenente João Stevenson da CIESA comunica, por telegrama, ao Governador de São Paulo, Pedro de Toledo, o sucesso da batalha:

Tenho a honra de participar ao amigo que ontem, após combate, nossa companhia de guerra de Santo Amaro, sob o comando do tenente Mouphir, derrotou as tropas da ditadura. Foram secundados os soldados pelo tenente Feliciano da Força Pública. Entramos vitoriosos em Xiririca às 10 horas da manhã do mesmo dia. Os adversários tiveram duas baixas, quatro feridos, cinco presos e apreendemos cavalos, fuzis e grande cópia de munições. Os nossos soldados se portaram com brilho inexcedível!” (publicado no Jornal Folha da Manhã de 22 de agosto de 1932).

Em 22 de agosto foi enviado um pelotão da CIESA ao bairro Itaúna para o qual haviam recuado os inimigos após os combates do dia 20. Os soldados inimigos mais uma vez bateram em retirada e rumaram à Batatal, localidade ainda mais afastada do centro de Xiririca.

Entre os últimos dias de agosto e os últimos dias de setembro forças ditatoriais tentaram sem sucesso tomar a cidade de Xiririca. Planejavam por essa cidade chagar a Juquiá e de lá atacar, pela via férrea, a cidade de Santos.

A partir de 30 de setembro o inimigo iniciou grande operação militar com o escopo de tomar definitivamente Xiririca e marchar  em direção a Santos. O comando da CIESA, reunido em Pariquera-Açu traçou um plano para proteger Xiririca já totalmente cercada pelos ditatoriais. Tropas que guarneciam cidades próximas deveriam se deslocar à Xiririca para colaborar na defesa da posição. Dessa forma duas colunas compuseram o reforço: a primeira veio em caminhões da cidade de Jacupiranga e a segunda em barcos, pelo Rio Ribeira, oriunda da cidade de Registro. No dia seguinte, após renhidos combates, os santamarenses romperam o cerco e pela segunda vez impediram a invasão da cidade. A batalha se estendeu até o dia 2 de outubro quando caiu em combate o voluntário Delmiro Sampaio. Nesse mesmo dia foi assinado, na cidade de Cruzeiro, o armistício que pôs fim à Revolução Constitucionalista e à bela campanha empreendida pelos homens de Santo Amaro no Vale do Ribeira.  




Referências

Caldeira, João Netto. “Álbum de Santo Amaro: A História dos Santamarenses”. Ed. Bentivenga e Netto, 1935;

Jornal Folha da Manhã (edições de 22/08, 02/09 e 15/09 de 1932);


Prefeitura da Estância Turística de Eldorado (http://www.eldorado.sp.gov.br) acesso em 10/02/2017.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

VOLUNTÁRIO JORGE JONES

QUANDO A GUERRA CIVIL AMERICANA ENCONTROU A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA

A Guerra Civil Americana



Foi um grande conflito armado, travado nos Estados Unidos da América, entre os anos de 1861 e 1865. De um lado o Norte formado por estados leais ao presidente Abraham Lincoln e do outro o Sul, ou Confederação, formado por estados denominados “rebeldes” que haviam se separado dos EUA e criado uma nova nação sob o comando de Jefferson Davis.

O Norte moderno, essencialmente urbano, detentor de 95% da capacidade industrial do país e de uma grande e moderna malha ferroviária venceu o Sul. Os Estados Confederados do Sul lutaram bravamente defendendo seu território invadido pelo “Yankees” e chegaram próximo da vitória em alguns momentos. Mas a economia agroexportadora - centrada no cultivo do algodão –, escravocrata, rural e pouco industrializada não resistiu. Um bloqueio naval foi feito pela Marinha de Guerra do Norte na costa sul americana, impedindo que o Sul importasse armas e suprimentos da Europa. Este mesmo bloqueio impedia também o Sul de continuar exportando seu algodão ao Velho Continente. O apoio militar francês e inglês, com o qual contavam os Confederados, não veio ficando assim selada a derrota sulista na guerra. Em abril de 1865 os generais confederados Robert Lee e Joseph Jonston assinaram a rendição do Sul.

O conflito deixou mais de 600 mil mortos. Foi a mais sangrenta guerra na qual se envolveu os EUA em toda a sua história.  Os estados que integraram a Confederação estavam destruídos.

Com o fim da guerra tem início a Reconstrução Americana que previa a reconstrução do Sul sob a liderança do vitorioso Norte. Os estados rebeldes foram gradualmente reintroduzidos na União. Escravos libertos com a derrota do sul ganharam direito a voto e conquistaram outros direitos antes exclusivos dos brancos. O território sulista foi militarmente invadido, civis do Norte vieram para ocupar importantes cargos públicos no Sul. Líderes confederados foram presos, outros perseguidos e muitos tiveram suas terras confiscadas. Havia muita pobreza nos antigos orgulhosos estados integrantes da Confederação. Era o fim da “Dixie Land”.


A Migração Confederada para o Brasil

Com o intuito de escapar dos horrores da derrota e da Reconstrução Americana, centenas de famílias sulistas migraram para o Brasil. As terras férteis e baratas nas quais ainda se podia ter escravos “encheram os olhos” de alguns milhares de confederados ávidos por refazerem suas vidas.  A única migração reversa da história americana trouxe ao Brasil aproximadamente 20 mil confederados entre 1865 e os primeiros anos do século XX. O Imperador Dom Pedro II foi o grande incentivador da migração dos americanos os quais, acreditava ele, poderiam melhorar as técnicas agrícolas em uso no país, sobretudo na produção do algodão.

Os americanos apresentaram aos brasileiros o arado de metal puxado por mulas, o descaroçamento automatizado do algodão, o lampião de querosene, a máquina de costura, inúmeras ferramentas e técnicas agrícolas bem como novas práticas médicas, odontológicas e de educação básica. Até mesmo a melancia da Georgia, hoje um dos produtos agrícolas mais famosos do Brasil, foi introduzida no país por esses imigrantes (um deles trouxe um punhado de sementes no bolso).

Vila Americana


Em 1886, o Coronel William Hutchinson Norris  (ex-combatente Confederado e ex-senador pelo Alabama) fundou na região de Santa Barbara D’Oeste a primeira colônia americana no interior de São Paulo. Em 1875 foi inaugurada a Estação Ferroviária de Santa Bárbara que daria forte impulso às atividades agrícolas na região, consolidando aquela como a mais importante e próspera colônia confederada no Brasil. Ao redor daquela estação se fixou um povoado que ficou conhecido como Vila Americana e que deu origem a atual cidade de Americana/SP. Essa cidade é hoje é um grande polo industrial têxtil que teve seu início com o algodão produzido pelos imigrantes americanos.


O Voluntário Jorge Jones



Com o início da Revolução Constitucionalista, em 9 de julho de 1932, milhares de jovens, de todas as partes do Estado de São Paulo correram aos postos de alistamento. Contra a Ditadura Vargas, todos queriam contribuir para o esforço cívico paulista em busca da reconstitucionalização do país. De Vila Americana partiu Jorge Jones.

Jorge era bisneto do Coronel William Norris e neto de Robert Norris, filho do Coronel,  que participara de 37 batalhas da Guerra Civil sendo inclusive ferido em combate. Jorge era filho de Cícero Jones, médico e um dos precursores da indústria têxtil de Americana que se casou, em segundas núpcias, com a filha de Robert, Martha.

Em 1902, quando Cicero e Martha estavam vivendo em Piracicaba, nasceu Jorge. A família era ainda composta por mais 8 irmãos: Robert, Yancey, Carol, Carlos, James, Franklin, Mary e Pattie.

Durante a Revolução, Jorge Jones foi incorporado ao Batalhão Patriótico 23 de Maio e serviu como ordenança do tenente Manoel dos Santos Sobrinho. Jorge, o tenente e o voluntário Aristeu Valente faziam uma patrulha, em 18 de agosto de 1932, na estada que ligava as cidades de Socorro a Lindóia (região de Monte Sião). Ao se depararem com os inimigos, que estavam em maior número, resistiram heroicamente até tombarem, os três, com seus corpos crivados de balas.

Tenente Manoel dos Santos Sobrinho

O Coronel Herculano de Carvalho fez triste referência a esse incidente em seu livro “A Revolução Constitucionalista” de 1934, à página 182:

“Todavia não fora completa a vitória: antes, enlutara-a a perda de três bravos – o tenente Sobrinho e os voluntários Aristeu Valente e Jorge Jones, sobre cujos cadáveres tripudiaram alguns desalmados”
Nº 859 – Do Comandante João Dias (Mogi-Mirim), ao Comandante Alfieri (S. Paulo) – Transmito-vos telegrama acabo de receber major Castro: “Levanto perante povos civilizados veemente protesto pelo saque infame levado a efeito por soldados da ditadura nos cadáveres do tenente Sobrinho, dos voluntários Aristeu Valente e Jorge Jones, mortos no combate de Monte Sião, e nas paupérrimas habitações que tiveram a desventura de ficar na zona de combate. Saudações. Mogi-Mirim, 20-8-932”




Os restos mortais do voluntário Jorge Jones foram enterrados no próprio campo de batalha e alguns anos depois transladados para o Cemitério da Saudade de Americana.



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Bibliografia

EISENBERG, Peter Louis. Guerra Civil Americana. São Paulo,Brasiliense, 1999;

NEELEMAN, Gary. NEELEMAN, Rose. A Migração Confederada ao Brasil: Estrelas e Barras sob o Cruzeiro do Sul. Porto Alegre, EDIPUCRS, 2016;

SILVA, Herculano de Carvalho. A Revolução Constitucionalista. São Paulo, Civilização Brasileira, 1934;

MONTENEGRO, Benedito. Cruzes Paulistas: Os que Tombaram, em 1932, pela Glória de Servir São Paulo..São Paulo: Empreza Graphica da Revista dos Tribunaes, 1936

Créditos das fotos

Coronel Willian Hutchiinson Norris e Voluntário Jorge Jones: Fraternidade Descendência Americana (https://www.facebook.com/fdasbo/)


Vila Americana e Cícero Jones: Coleção de Judith Jones em A Migração Confederada ao Brasil: Estrelas e Barras sob o Cruzeiro do Sul páginas 324 e 114, respectivamente.